NEGROS SÃO APENAS UM TERÇO DOS UNIVERSITÁRIOS


Em 2018, 25,2% dos jovens brasileiros com entre 18 e 24 anos estavam cursando ou já haviam concluído o ensino superior, mas o recorte racial mostra que, considerando apenas a taxa de matrículas de jovens brancos, essa porcentagem salta para 36,1%. Já olhando apenas para os jovens negros (pretos ou pardos), o índice cai pela metade: 18,3%. Os dados foram divulgados na manhã na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O histórico dos últimos três anos mostra que a porcentagem de jovens estudando na universidade avançou nos dois grupos raciais, mas a discrepância entre eles aumentou ligeiramente – de 16,2 para 17,8 pontos percentuais.
O estudo afirma que 11% dos jovens de 18 a 24 ainda estavam cursando o ensino básico em 2018. Isso representa 2,5 milhões de pessoas, sendo que 83,2% delas estavam matriculadas no ensino médio, e 16,8% ainda cursavam o ensino fundamental.
"A maioria (63,8%) não frequentava escola e não possuía ensino superior completo, sendo que 36,9% desse grupo abandonou a escola sem concluir o ensino médio e 16,1% não havia concluído nem o ensino fundamental", ressaltou o IBGE.
A "persistência" da desigualdade racial entre brancos e negros no ensino superior é um dos indicativos de que a Lei Federal de Cotas, aprovada em 2012 pelo Congresso Nacional, contém "erro de mensuração", explicou ao G1 Frei David Santos, fundador da ONG Educafro.
Segundo ele, quando o Congresso Nacional decretou a cota para aluno da rede pública, "acabou dando grande força para brancos pobres, perpetuando a desigualdade entre brancos e negros". O especialista ressalta ainda que "essa diferença está persistindo em não querer baixar, houve um erro na mensuração da política pública".
Os dados do IBGE, que incluem informações sobre taxas de acesso desde a educação infantil até o ensino superior, mostram que, de fato, os adolescentes de 15 a 17 anos brancos apresentam taxas de abandono e reprovação escolar mais baixas que os pretos ou pardos.
Já considerando as faixas de renda, o resultado é ainda mais desigual na comparação entre o quinto da população com os menores rendimentos, e o lado oposto da balança – os 20% com maiores rendimentos. Nesse último grupo, apenas 1,4% dos adolescentes estavam fora da escola sem concluir o ensino médio.
Fonte: portal de notícias G1



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