COLÉGIOS PARTICULARES DE SP DESCARTAM APROVAÇÃO AUTOMÁTICA


Pela tela do computador, Leticia Bueno, de 15 anos, faz prova. Na sala virtual, as carteiras dos colegas - cada um com sua câmera ligada - se transformaram em quadradinhos de vídeo e até as inspetoras surgem de vez em quando na classe durante a avaliação. "É engraçado porque essa tensão da prova acho que nunca passa. Em qualquer situação, sempre é uma ansiedade, e vem um friozinho na barriga", diz a aluna do 1.º ano do ensino médio do Colégio Poliedro, em São Paulo.
Mesmo em tempo de pandemia, com mudanças no formato das aulas e incertezas sobre o ano letivo, Leticia está de olho nas notas e não pensa em perder o ano. "A reprovação é algo que me preocupa. Isso me afetaria muito lá na frente." Na semana passada, um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) recomendou "fortemente" que redes de ensino e colégios de todo o País evitem reprovar alunos em 2020 e sugeriu diversificar as estratégias de avaliação.
Embora não seja uma norma - cada escola e rede de ensino tem autonomia para decidir reter ou não os alunos -, o parecer do CNE funciona como um norte para eventual retorno às atividades presenciais. "Claro que algumas escolas tiveram condições de desenvolver atividades online, mas essa não é a marca geral. E não se pode dizer que ocorreu, nem mesmo em todas as particulares. A recomendação é prestar grande atenção para evitar a sensação de fracasso", diz a relatora do parecer no CNE, Maria Helena Guimarães.
Colégios particulares de São Paulo e professores se dividem sobre o tema. Se, por um lado, entendem que a reprovação deve ser uma medida extrema, mesmo antes da pandemia, por outro temem que um discurso de aprovação automática na escola acabe desestimulando os alunos que estão engajados nos estudos. Para os que não conseguiram se adaptar ao formato das aulas a distância, os colégios têm preparado plantões de dúvida, reforço e até mentoria entre alunos. "Alguns alunos não cumpriram os objetivos e a gente tem procurado falar com eles, com as famílias, informar porque não está bom e o que tem de voltar a fazer", diz Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe, na região central de São Paulo. "Se o aluno tinha condições objetivas de cumprir com tudo, não teve problema de acesso, foi avisado e, mesmo assim, não fez, pode ser que haja alguma reprovação."
Para Fabio Aidar, diretor do Colégio Santa Cruz, na zona oeste de São Paulo, a retenção deve ser vista com muito cuidado ainda mais em um ano como este. "Mas não temos nenhuma diretriz informando que haverá promoção automática." Ele reconhece que, no início da pandemia, a escola "errou um pouco a mão" nas cobranças. "Exageramos na quantidade de atividades que exigíamos dos alunos." Após pesquisas internas com os estudantes e professores, diz, a dose foi ajustada.
Segundo Arthur Fonseca Filho, diretor da Associação Brasileira das Escolas Particulares (Abepar), cobrar do aluno o desempenho acadêmico é fundamental, "mas respeitando essa máxima de que a retenção deve ser evitada". Nas escolas privadas de São Paulo, diz, já é baixo o índice de reprovação e os colégios têm condições de investir pesado em estratégias para prevenir a retenção. A tendência é de que índices de repetência sejam ainda menores neste ano.
Fonte: Estado de Minas



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