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  Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
Questão No  1 
Oxímoro (ou paradoxo) é uma construção textual que agrupa significados que se excluem mutuamente.

Para Garfield, a frase de saudação de Jon (tirinha abaixo) expressa o maior de todos os oxímoros.


Nas alternativas abaixo, estão transcritos versos retirados do poema "O operário em construção". Pode-se afirmar que ocorre um oxímoro em:

  "Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão."


  "... a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão."


  "Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava."


  "... o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário."


  "Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão."



(MORAES, Vinicius de. Antologia Poética. São Paulo:
Companhia das Letras, 1992.)


Questão No  2 
Texto I

FATALIDADE


O que mais enfurece o vento são esses poetas invertebrados que o fazem rimar com lamento.

(Mário Quintana)



Texto II

CONSIDERAÇÃO DO POEMA (Fragmento)


Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra, que todas me convêm.
As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.

(Carlos Drummond de Andrade)



Podemos entender que os dois textos dialogam entre si:

  sendo ambos uma afirmação do valor conferido à rima na produção poética tradicional.
  e são uma forma de criticar escolas literárias que conferiram grande valorização à utilização da rima.
  porque defendem a negação da vinculação que se pretende entre a natureza e a poesia.
  mas se opõem quanto à afirmação da natureza como cúmplice dos sentimentos dos homens.
  estabelecendo o primeiro uma crítica às novas tendências da poesia, que o segundo exemplifica.

Questão No  3 

INFÂNCIA



Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

(Carlos Drummond de Andrade)




Os elementos que servem para estabelecer a progressão temática no texto de Drummond e que se referem ao tempo passado nos dão a ideia do posicionamento do eu relativo àquela fase de sua vida. Tal posicionamento traduz um(a):

  recordação sentimentalmente positiva.
  sensação negativamente dolorosa.
  motivação contrária a seus sentimentos.
  inspiração meramente autoral e não pessoal.
  sentimento de abandono e solidão.

Questão No  4 


coletivogambiarraimagens.blogspot.com



A charge acima pode ser integralmente entendida como uma posição crítica:

  que afirma que uma programação televisiva de pouca qualidade provoca telespectadores pouco qualificados.
  que afirma a responsabilidade dos telespectadores pela qualidade deficiente apresentada nos programas da tevê.
  que estabelece uma relação típica de um círculo vicioso entre as posturas apresentadas pela tevê e os seus espectadores.
  que estabelece responsabilidades unilaterais com relação à possível deficiência da programação regular da tevê.
  que satiriza o telespectador que critica uma programação de tevê porque não consegue entender o seu alcance.

Questão No  5 
O anúncio, em novembro de 1991, de que o jogador de basquete Magic Johnson tinha o vírus da AIDS motivou a discussão sobre a prática de esportes por portadores do HIV. Respeitando-se as condições físicas e psicológicas do portador, existe hoje um consenso de que a prática esportiva pode auxiliar na qualidade de vida dos atletas, especialmente por mantê-los integrados socialmente.

Segundo o texto acima, a prática de esporte por portadores de HIV:

  é contraindicada por exigir esforço físico.
  favorece o convívio do atleta em grupo.
  compromete a recuperação psicológica.
  pode reforçar o isolamento social.
  não é aconselhável por permitir contato do indivíduo com o grupo.

Questão No  6 
Leia o fragmento poético a seguir, de autoria de Gonçalves Dias:

"E pois que és meu filho, meus brios reveste,
tamoio nasceste, valente serás.
Sê duro guerreiro, robusto fragueiro,
brasão dos tamoios na guerra e na paz."

A respeito de sua mensagem, podemos afirmar que:

  exalta as proezas do índio em detrimento de outras raças não tão valorosas.
  nega valores hereditários relativos à personalidade: o filho não herda as virtudes do pai.
  fiel ao indianismo romântico, afirma a bravura do índio, que simboliza a nacionalidade.
  identifica determinados valores que o elemento indígena deve desprezar.
  traduz a angústia de um pai diante da evidente fragilidade do filho.

Questão No  7 

A ROSA DE HIROSHIMA



Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!
Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A antirrosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada.

(Vinicius de Moraes)



O poema de Vinicius de Moraes (1913-1980) foi musicado na década de 70 pelo grupo Secos e Molhados. Em seus versos, constrói-se basicamente um apelo para que não seja esquecida a:

  situação econômica de um país bombardeado.
  potência destrutiva de uma bomba nuclear.
  falta de alimento nos países em desenvolvimento.
  presença de mulheres nas guerras mundiais.
  situação precária das crianças abandonadas no planeta.

Questão No  8 

NÃO TEM TRADUÇÃO
(Noel Rosa, Francisco Alves e Ismael Silva)


O cinema falado é o grande culpado da transformação
Dessa gente que sente que um barracão prende mais que o xadrez
Lá no morro, se eu fizer uma falseta
A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês
A gíria que o nosso morro criou
Bem cedo a cidade aceitou e usou
Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando pinote
Na gafieira dançar o Foxtrote
Essa gente hoje em dia que tem a mania da exibição
Não entende que o samba não tem tradução no idioma francês
Tudo aquilo que o malandro pronuncia
Com voz macia é brasileiro, já passou de português
Amor lá no morro é amor pra chuchu
As rimas do samba não são I love you
E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny
Só pode ser conversa de telefone


A música popular brasileira, autêntica manifestação cultural de nossa gente, reflete, em suas letras, situações do cotidiano e não raro, na sua simplicidade, revela o chamado "saber do povo".

Na composição acima, da década de 30, seus autores formulam observações que os estudos linguísticos consagram como verdadeiras. A propósito, fazem-se, a seguir, quatro afirmações:

I. O texto chama a atenção, em determinado momento, para a transferência entre variantes sociais da língua.

II. O texto ratifica a concepção da linguagem como um fenômeno dinâmico, mutável no tempo e no espaço.

III. O texto afirma a existência de uma língua brasileira, que nada tem a ver com suas origens portuguesas.

IV. O texto admite a existência de um modo de falar brasileiro, que se diferencia do português original.

Analisando-se tais afirmativas, conclui-se que:

  apenas I e II estão corretas.
  todas estão corretas.
  I, II e IV estão corretas.
  I, II e III estão corretas.
  apenas I e III estão corretas.

Questão No  9 

O PARADOXO


Como as ultrapassagens foram abolidas da Fórmula 1 em função de regulamentos equivocados, a categoria passou a ter como marca registrada o desfile em fila indiana. Curiosamente, porém, nos dois últimos anos, apesar de a chatice tomar conta das corridas, o campeonato foi atraente. Isso se deveu basicamente à chamada "guerra dos pneus".

(Celso Itiberê in Pit Stop, O Globo 17/05/2007, p. 36.)



O recurso estilístico a que chamamos de paradoxo, que serve de título ao texto I, segundo a Gramática Normativa da Língua Portuguesa do professor Carlos Henrique da Rocha Lima (Livraria José Olympio Editora - 1976), é "a reunião de ideias contraditórias num só pensamento, o que nos leva a enunciar uma verdade com aparência de mentira". Dessa forma, uma construção paradoxal - podemos afirmar - beira as raias do absurdo. O paradoxo a que o autor do texto acima fez menção está no fato de:

  numa disputa entre carros de corrida, o vencedor, em vez de ter sido um deles, foram os pneus.
  um campeonato de Fórmula 1 ter sido atraente e as suas corridas, desinteressantes.
  ter existido uma guerra dentro de uma competição esportiva, que é elemento de agregação.
  terem sido abolidas as ultrapassagens e, consequentemente, os carros passarem a andar um atrás do outro.
  os regulamentos serem equivocados e as corridas sem nenhum atrativo.

Questão No  10 
Por volta das últimas décadas do século XIX, surge um novo estilo artístico. Nele, as imagens são representadas por pequeninos pontos reagrupados um ao lado do outro, dando forma às figuras. Chamado de Neoimpressionismo, este estilo também ficou conhecido com o nome de Pontilhismo.

Observe as imagens a seguir, e assinale aquela que pode ser entendida como exemplo de obra neoimpressionista.

 
 
 
 
 

Questão No  11 
O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e por um gramático nos textos abaixo:

PRONOMINAIS


Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

(ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural,1988.)



"Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocupada, ou na língua escrita quando se deseja reproduzir a fala dos personagens (...)"

(CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980.)



Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, pode-se afirmar que ambos:

  condenam essa regra gramatical.
  acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra.
  criticam a presença de regras na gramática.
  afirmam que não há regras para uso de pronomes.
  relativizam essa regra gramatical.

Questão No  12 
Textos podem "dialogar" a respeito de um assunto. No entanto, o enfoque que se tem sobre esse mesmo assunto pode ser divergente. Leia os textos a seguir:

Texto I

AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)



Amor é um livro - Sexo é esporte
Sexo é escolha - Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela - Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa - Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos
Amor é cristão - Sexo é pagão
Amor é latifúndio - Sexo é invasão
Amor é divino - Sexo é animal
Amor é bossa nova - Sexo é carnaval
Amor é para sempre - Sexo também
Sexo é do bom - Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um - Sexo é dois
Sexo antes - Amor depois
Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora


Texto II

AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER...


(Luís Vaz de Camões)



Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Podemos afirmar, assim, que a abordagem do amor é:

  a mesma nos dois textos, através da projeção contraditória do amor.
  diferente, já que só o texto II define o amor como um sentimento complexo, paradoxal.
  a mesma nos dois textos, pois constroem o mesmo raciocínio através da definição do amor.
  diferente, porque a visão de sexo no primeiro é concreta e no segundo é abstrata.
  a mesma nos dois textos, uma vez que o amor é apresentado paradoxalmente nos dois casos.

Questão No  13 


Montes Claros


CIDADE GRANDE


Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.

(Carlos Drummond de Andrade)



Entre os recursos expressivos empregados no texto, destaca-se a:

  metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à própria linguagem.
  intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
  ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica.
  denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido próprio e objetivo.
  prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas, atribuindo-lhes vida.

Questão No  14 

O PERU DE NATAL(Fragmento)



Morreu meu pai, sentimos muito etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a ideia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.

(Mário de Andrade.)



O Modernismo é movimento literário de ruptura com a tradição. O texto anterior, de um dos modernistas de primeira hora, exemplifica esse processo de rompimento, através das seguintes características:

  maior abrangência popular, adotando a linguagem do povo e posição de nacionalismo crítico.
  temática vinculada ao cotidiano e linguagem exclusivamente pautada no coloquial.
  rejeição a hábitos impostos pela educação tradicional e repúdio ao falso sentimentalismo.
  irreverência, com a introdução do chamado poema-piada e paródia de textos tradicionais.
  negação integral da linguagem dita culta e uso de construções da regência popular.

Questão No  15 
Alguns dizem, sobre a linguagem jornalística, que deve ser despojada de subjetividades, nela devendo prevalecer a função referencial, uma vez que seu objetivo básico é a informação. Contudo, percebe-se, claramente, a presença de um toque pessoal da "marca" do jornalista, quando, por exemplo, ele se utiliza da linguagem figurada. Assinale, dentre as alternativas a seguir, aquela em que as duas "chamadas", dentre diversas colhidas em manchetes de edições de "O Globo", são construídas com figuras de linguagem:

  "Delegado pedirá prisão preventiva de acusados" / "China importa pilotos brasileiros".
  "Empresários indianos têm fome de negócios" / "Parecer pode levar ANAC a cancelar venda da VARIG".
  "Flu empata e continua na lanterna" / "Ladrões levam obras raras em SP. De novo".
  "Alunos da oitava série superam os de ensino médio" / "Delegados com a cabeça a prêmio".
  "Sob a sombra da informalidade, um PIB de R$ 248 bi" / "O mundo do futebol de joelhos para Runco".

Questão No  16 
Compare os dois textos a seguir:

Texto I

"Pois saiba que as pessoas mal-humoradas e intratáveis já não têm lugar nas empresas. Mesmo quando essas pessoas têm grande poder em seu ambiente de trabalho, ou quando são especialistas importantes numa dada área de conhecimento profissional, elas poderão se dar mal, se forem grosseiras, mal-educadas, intolerantes ou desonestas com os sentimentos dos outros. Houve época em que um profissional tecnicamente competente podia fazer o que quisesse que estava garantido, mas essa época já passou."

(Trecho do capítulo I do livro "O novo mercado de trabalho - guia para iniciantes e sobreviventes", de autoria de Marco A. Oliveira.)



Texto II

"Judith prega o fim do riso no local de trabalho. Os funcionários não devem atuar em equipe, conversar sobre suas vidas por mais de cinco minutinhos e muito menos ter na companhia uma fonte de satisfação. Para ela, isso diminui a produtividade e também a qualidade de vida das pessoas. Na firma, o espaço deve ser só e exclusivamente de trabalho, diz, dando como exemplo a experiência de seu primeiro emprego, em que via que os colegas acabavam perdendo tempo com questões não profissionais."

(Introdução à entrevista feita pelo jornal "O Globo" (19.10.2003) com a publicitária alemã Judith Mair.)



Os dois textos tratam do mundo do trabalho e de posturas a serem ou não adotadas em nome da produtividade. A leitura atenta dos dois revela que:

  o autor do livro tem a mesma posição da publicitária alemã.
  os dois textos se utilizam de exemplos retirados da vivência pessoal dos autores.
  os argumentos do texto II justificam a tese do texto I.
  a segunda visão faz predominar o social sobre o individual.
  são praticamente antagônicas as duas posturas mencionadas.

Questão No  17 


(Adaptação de figura existente na publicação "Metáfora", de Edward Lopes.)



Examinado o anúncio acima, e a sua concepção, formulam-se a seguir algumas observações:

I. O anúncio joga com aspectos temporais, ao relacionar um conteúdo a transformar (antes) e um conteúdo transformado (depois).

II. O anúncio, ao exibir garrafas que saem diretamente do tomate, pretende reforçar a ideia de que o catchup a ser vendido é feito com produtos naturais.

III. Qualitativamente, há uma intencional valorização hiperbólica do tomate no anúncio, já que suas dimensões, se comparadas às das garrafas, são exageradas.

IV. Não cumpre qualquer função expressiva a repetição do verbo de ligação no anúncio, bem como a escrita do slogan toda em maiúsculas.

A propósito, marque a opção válida:

  Apenas é correta a observação I.
  Apenas são corretas as observações I e II.
  São corretas as observações I, II e III.
  São corretas todas as observações.
  São incorretas todas as observações.

Questão No  18 

Texto I

"As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;"

("Os Lusíadas", Canto I (fragmento) Luís de Camões)



Texto II

"Então o bravo povo brasileiro
Em perigos e guerras esforçado
Mais que prometia a força humana
Plantou couve, colheu banana
Bravo esforço do povo brasileiro
Mandou vir capital lá do estrangeiro"

("O Subdesenvolvido", fragmento, Carlos Lyra e Francisco de Assis)



"Os Lusíadas", sabemos, constituem uma epopeia que narra os feitos heroicos de Vasco da Gama na descoberta do caminho marítimo para as Índias. Já "O Subdesenvolvido" é uma canção dos anos 60, elaborada dentro da linha temática do Centro Popular de Cultura da UNE, que, de forma engraçada, irônica, crítica, pretende "recontar" a história de nosso país. A presença, no texto II (de "O Subdesenvolvido"), de versos que compuseram o texto I (de "Os Lusíadas") configura - examinados os dois contextos - um procedimento denominado:

  paráfrase.
  paródia.
  plágio.
  citação.
  epígrafe.

Questão No  19 


(Fonte: www.universohq.com)


Observe os comentários a seguir:

I. A charge em destaque pretende, evidentemente, apresentar seu humor com fundamento em uma manifestação irônica.

II. Nela registra-se a utilização de um recurso de linguagem não verbal em substituição a um de linguagem verbal.

III. Também se verifica nela a superposição de elementos comunicativos que espelham tecnologias modernas de comunicação.

IV. Pode-se inferir na mensagem um certo tom de crítica às chamadas tecnologias modernas de comunicação e informação.

Agora, aponte a alternativa adequada, a respeito dos comentários:

  Todos estão corretos.
  Estão incorretos os dois últimos.
  Apenas está incorreto o comentário III.
  Estão corretos somente os comentários I e IV.
  O único comentário correto é o II.

Questão No  20 

RETROLÂMPAGO (Fragmento)


A Manhã ainda nua
saiu da montanha
com a coroa de plumas
vermelhas à cabeça.

Depois, por sua vez,
é o Dia português
que salta das ondas
qual pássaro branco
ruflando a asa enorme
das velas redondas...

Por último é a Noite
africana que chega
no porão do navio,
tremendo de frio,

com os seus orixás,
com os seus amuletos,
e é trazida pra terra
nos ombros dos pretos.

E os heróis, ainda obscuros,
nascidos na Terra:
o gigante tostado
pelo sol da Manhã;
o gigante marcado
com o fogo do Dia;
e o gigante criado
com o leite da Noite,
           todos três
calçam as botas sete-léguas
           e era uma vez...

(Cassiano Ricardo, Martim-Cererê)




Monumento às Três Raças, Goiânia/GO. Criação: Neusa Moraes / 1968



O poema trata da formação étnica do nosso país e, em sua construção, o autor se utiliza da linguagem figurada. Presente o sentido maior que se confere à metonímia, identificamos, no texto, como metonímicas e representativas das três raças mencionadas as palavras:

  plumas, velas, amuletos.
  montanha, pássaro, orixás.
  coroa, asa, porão.
  cabeça, asa, frio.
  manhã, ondas, ombros.

Questão No  21 
Compare os dois textos abaixo:
Texto I



Texto II
Trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre é visível, uma vez que não mais se utilizam correntes para prender o homem à terra, mas sim ameaças físicas, terror psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais próxima.

(http://www.reporterbrasil.com.br/)



Indique a alternativa que registra um comentário adequado:

  Os dois textos possuem elementos verbais e não verbais que contribuem para a apresentação do problema do trabalho escravo.
  O texto II reproduz fielmente, com elementos verbais, o contido no texto I, que possui também elementos não verbais.
  O substantivo "vergonha" , utilizado no texto I, traduz um sentimento decorrente da qualificação do trabalho como "escravo" (texto I) e "degradante" (texto II).
  A ideia de "grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais proxima" (texto II) encontra-se indiretamente considerada no texto I.
  A imagem da "mão fechada", no texto I, corresponde à ideia de "terror psicológico", mencionada no texto II.

Questão No  22 
A primeira imagem (publicada no século XVI) mostra um ritual antropofágico dos índios do Brasil. A segunda mostra Tiradentes esquartejado por ordem dos representantes da Coroa portuguesa.


(Theodor De Bry - século XVI)




(Pedro Américo. Tiradentes esquartejado, 1893)



A comparação entre as reproduções possibilita as seguintes afirmações:

I. Os artistas registraram a antropofagia e o esquartejamento praticados no Brasil.

II. A antropofagia era parte do universo cultural indígena e o esquartejamento era uma forma de justiça entre luso-brasileiros.

III. A comparação das imagens faz ver como é relativa a diferença entre "bárbaros" e "civilizados", indígenas e europeus.

Está correto o que se afirma em:

  I apenas.
  II apenas.
  III apenas.
  I e II apenas.
  I, II e III.

Questão No  23 
Leia o texto a seguir, pequeno fragmento de um longo artigo intitulado "Linguagens - As tecnologias de comunicação e informação na escola", de autoria de Tania Maria Esperon Porto, da Universidade Federal de Pelotas:

"Ao contrário do homem da era de Gutenberg, treinado para a racionalização e a distância afetiva, o homem da civilização técnico-eletrônica e audiovisual, no entender de Babin e Kouloumdjian (1989), conecta intimamente a sensação à compreensão, a coloração imaginária ao conceito. Sem afetividade não há audiovisual. Esta nova linguagem tecnológica, que interconecta e aproxima os indivíduos, também treina múltiplas atitudes perceptivas e solicita constantemente a imaginação, investindo na afetividade e nas relações como mediação primordial no mundo. São possibilidades de linguagens tecnológicas que podem incorporar-se à escola para ensinar o respeito ao diferente, a vencer obstáculos, a trabalhar coletivamente, entre outros aspectos. Não pressupõe uma didática nova, mas uma postura que se apoia na inter-relação entre professor e alunos como sujeitos que se organizam, decidem e buscam superar obstáculos, tendo em vista os conteúdos curriculares, intermediados com as tecnologias e situações da cotidianidade."

Deste mesmo artigo, destacamos outros trechos. Marque o único cujo teor mais se aproxima da ideia contida no referido fragmento:

  "O mercado audiovisual e tecnológico cria a ilusão de a todos servir, embora muitos se contentem apenas com o fast-food televisivo e com a esperança de um dia poder acessar todos os bens."
  "...distante de práticas unilaterais, a comunicação na escola envolve um agir pedagógico participativo, segundo o qual professores e alunos, estando em movimento, ampliam seus saberes, interações e formas de comunicação com tecnologias propiciadoras de aprendizagens."
  "Diante dessas linguagens, a grande maioria dos docentes (ou mesmo pais) se vê apenas como usuário/ telespectador. A preparação social e/ou pedagógica para seu uso não é, na maioria das vezes, cogitada."
  "As novas (e velhas) tecnologias podem servir tanto para inovar como para reforçar comportamentos e modelos comunicativos de ensino. A simples utilização de um ou outro equipamento não pressupõe um trabalho educativo ou pedagógico."
  "As tecnologias invadem os espaços de relações, mediatizando estas e criando ilusão de uma sociedade de iguais, segundo um realismo presente nos meios tecnológicos e de comunicação."

Questão No  24 


http://leitejr.wordpress.com/2008/08/12/aurelio-o-dicionario-bom-pra-burro/



O recurso utilizado na mensagem acima, que a torna criativa e bem-humorada, é:

  personificação.
  ambiguidade.
  ironia.
  antítese.
  hipérbole.

Questão No  25 
Nesta tirinha, a personagem faz referência a uma das mais conhecidas figuras de linguagem para:

FRANK & ERNEST / Bob Thaves


  condenar a prática de exercícios físicos.
  valorizar aspectos da vida moderna.
  desestimular o uso das bicicletas.
  caracterizar o diálogo entre gerações.
  criticar a falta de perspectiva do pai.

Questão No  26 
Leia o texto a seguir, um comentário colhido na internet:

"Quando o Governo do partido X baixava os combustíveis, certa imprensa salientava positivamente essa medida e referia que a responsabilidade era do Governo do partido X. Agora que o mesmo Governo do partido X aumenta os combustíveis, já não salienta de quem é a medida e procura arranjar argumentos para justificar essa subida. É a propaganda no seu melhor..."

Percebe-se no texto um comentário crítico em relação aos órgãos de comunicação, tendo como base um (uma):

  comprometimento com propósitos políticos.
  atitude inconcebível de isenção.
  formulação coerente de notícia.
  postura de independência política.
  princípio ético inabalável.

Questão No  27 



Um jogo de voleibol com regras adaptadas, como, por exemplo, a rede numa altura menor ou a bola podendo dar um quique no chão, é exemplo de um esporte que se transformou em jogo, possibilitando assim um maior número de participantes.

Marque a alternativa que apresenta outro exemplo de atividade que seja um jogo e que propicie a participação de todos, inclusive daqueles que não possuem um bom desempenho:

  Futebol, com a aplicação integral das regras oficiais, aplicadas internacionalmente.
  Handebol, com regra segundo a qual o gol somente é válido se, antes, a bola passar por todos os componentes da equipe.
  Futebol, com inserção de regra segundo a qual o primeiro erro já resulta na saída automática do atleta.
  Handebol, sem mudança das regras tradicionalmente aplicadas para a prática do esporte.
  Voleibol de praia, sem qualquer alteração das regras oficialmente fixadas para a prática desse esporte.

Questão No  28 

MONTANHAS DE OURO PRETO


Desdobram-se as montanhas de Ouro Preto
Na perfurada luz, em plano austero.
Montes contempladores, circunscritos,
Entre cinza e castanho, o olhar domado

Recolhe vosso espectro permanente.
Por igual pascentais a luz difusa
Que se reajusta ao corpo das igrejas,
E volve o pensamento à descoberta

De uma luta antiqüíssima com o caos,
De uma reinvenção dos elementos
Pela força de um culto ora perdido,

Relíquias de dureza e de doutrina,
Rude apetite dessa cousa eterna
Retida na estrutura de Ouro Preto.

(Murilo Mendes)



O poema em destaque está na obra "Contemplação de Ouro Preto" (1954), que, segundo Alfredo Bosi, é "o ponto mais alto da carreira literária de Murilo Mendes", e na qual se nota forte presença de elementos do Barroco, como, por exemplo, as antíteses e uma atmosfera carregada de conflitos entre os valores terreno e espiritual.

Identifique, dentre as cinco alternativas abaixo, aquela que exemplifica, no campo das artes plásticas, a estética barroca:

 
 
 
 
 

Questão No  29 



A MONTANHA PULVERIZADA


Esta manhã acordo e
não a encontro.
Britada em bilhos de lascas
deslizando em correia transportadora
entupindo 150 vagões
no trem-monstro de 5 locomotivas
- trem maior do mundo, tomem nota -
foge minha serra, vai
deixando no meu corpo a paisagem
mísero pó de ferro, e este não passa.

(Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 2000.)



A situação poeticamente descrita acima sinaliza, do ponto de vista ambiental, para a necessidade de:

I. manter-se rigoroso controle sobre os processos de instalação de novas mineradoras;

II. criarem-se estratégias para reduzir o impacto ambiental no ambiente degradado;

III. reaproveitarem-se materiais, reduzindo-se a necessidade de extração de minérios.

É correto o que se afirma:

  apenas em I.
  apenas em II.
  apenas em I e II.
  apenas em II e III.
  em I, II e III.

Questão No  30 
Pensas tu, bela Anarda, que os poetas
Vivem d'ar, de perfumes, d'ambrosia?
Que vagando por mares d'harmonia
São melhores que as próprias borboletas?

Não creias que eles sejam tão patetas.
Isso é bom, muito bom mas em poesia,
São contos com que a velha o sono cria
No menino que engorda a comer petas!

Talvez mesmo que algum desses brejeiros
Te diga que assim é, que os dessa gente
Não são lá dos heróis mais verdadeiros.

Eu que sou pecador, - que indiferente
Não me julgo ao que toca aos meus parceiros,
Julgo um beijo sem fim cousa excelente.

Gonçalves Dias
(www.jornaldepoesia.jor.br)



O tema do texto acima é a vida dos poetas. A propósito, formulam-se as observações abaixo e somente uma delas é pertinente. Aponte-a:

  O eu lírico dirige-se à interlocutora Anarda, a quem pretende convencer de sua tese, de que os poetas vivem de coisas abstratas, como ar, perfumes, ambrosia.
  Ele se vale do recurso da pergunta (primeira estrofe) para, em seguida, na segunda estrofe, reproduzir a resposta da interlocutora, com a qual concorda.
  Na terceira estrofe, o poeta, a partir de um hipotético discurso formulado por aqueles a quem critica, procura desqualificá-los.
  O último verso apresenta um tipo de julgamento que, na realidade, exemplifica o contrário do que vem sendo afirmado pelo poeta.
  As palavras "ar" e "beijo" representam, no poema, exemplos de vocábulos aplicáveis a um mesmo posicionamento.

Questão No  31 
Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos colados, um ao lado do outro em pirâmide que tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora.

(Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.)



O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em:

  "Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas."

(Vinicius de Moraes)

  "Somos muitos severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima."

(João Cabral de Melo Neto)

  "O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada em arquivos."

(Ferreira Gullar)

  "Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os
sonhos do mundo."

(Fernando Pessoa)

  "Os inocentes do Leblon
Não viram o navio entrar (...)
Os inocentes, definitivamente inocentes tudo
ignoravam,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam pelas costas, e aquecem."

(Carlos Drummond de Andrade)


Questão No  32 
"Nós amamos a paz, mas não a paz a qualquer preço. Há uma paz mais destrutiva para a virilidade humana do que a guerra é para seu corpo. Correntes são piores do que baionetas."

(Douglas William Jerrold)



A ideia da paz sempre esteve presente no discurso dos homens, ao longo da história da Humanidade.

Da revista "Forbes Brasil", de 12/04/2002, colhemos a frase acima. Na mesma publicação, encontram-se transcritos outros pronunciamentos a propósito deste tema.

Assinale, dentre as opções abaixo, aquela em que a mensagem tem o seu significado mais aproximado ao do texto supracitado:

  "Uma paz certa é melhor e mais segura do que uma vitória esperada" (Tito Lívio)
  "Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim" (Benjamin Franklin)
  "Se a paz não puder ser mantida com honra, deixa de ser paz" (Bertrand Russell)
  "Estar preparado para a guerra é um dos meios mais eficazes de preservar a paz" (George Washington)
  "Prefiro a paz mais injusta à mais justa das guerras" (Cícero)

Questão No  33 
O termo (ou expressão) destacado que está empregado em seu sentido próprio ocorre em:

  "(....)É de laço e de nó
De gibeira o jiló
Dessa vida, cumprida a sol (....)"

(Renato Teixeira. Romaria. Kuarup Discos, setembro de 1992.)

  "Protegendo os inocentes
é que Deus, sábio demais,
põe cenários diferentes
nas impressões digitais."

(Maria N. S. Carvalho. Evangelho da Trova. /s.n.b.)

  "O dicionário-padrão da língua
e os dicionários unilíngues são
os tipos mais comuns de
dicionários. Em nossos dias,
eles se tornaram um objeto de
consumo obrigatório para as
nações civilizadas e
desenvolvidas."

(Maria T. Camargo Biderman. O dicionário-padrão da língua. Alfa (28), 2743, 1974 Supl.)

 

(O Globo. O menino maluquinho, agosto de 2002.)

  "Humorismo é a arte de fazer cócegas
no raciocínio
dos outros. Há duas
espécies de humorismo: o trágico e o
cômico. O trágico é o que não
consegue fazer rir; o cômico é o que é
verdadeiramente trágico para se fazer."

(Leon Eliachar. www.mercadolivre.com.br. acessado em julho de 2005.)


Questão No  34 
Texto I

CANÇÃO DO EXÍLIO



Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

(GONÇALVES DIAS, Antônio. Poesia completa e prosa escolhida. Rio de Janeiro, Aguilar, 1959. p. 277.)



Texto II

CANÇÃO DO EXÍLIO



Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.

Eu morro sufocado em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!

(MENDES, Murilo., Poesias. Rio de Janeiro, José Olympio, 1959. p. 224.)



Fazendo-se a leitura atenta dos textos I e II, nota-se que o autor do texto II tanto atualiza certos valores do texto I, quanto conserva outros. Assim, podemos perceber valores comuns aos dois por meio dos versos da seguinte opção:

  Texto I: "Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores." Texto II: "Nossas flores são mais bonitas / nossas frutas mais gostosas"
  Texto I: "Não permita Deus que eu morra, / Sem que eu volte para lá" Texto II: "Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda."
  Texto I: "Em cismar, sozinho, à noite, / Mais prazer eu encontro lá" Texto II: "A gente não pode dormir com os oradores e os pernilongos."
  Texto I: "Sem qu'inda aviste as palmeiras, / Onde canta o Sabiá." Texto II: "os sargentos do exército são monistas, cubistas, os filósofos são polacos vendendo a prestações."
  Texto I: "Sem que desfrute os primores / Que não encontro por cá" Texto II: "Eu morro sufocado em terra estrangeira"

Questão No  35 
Analise o gráfico abaixo, relativo a redes de transportes, que estabelecia comparação entre diversos países, por volta do ano de 1996.

Participação dos Modais no Mundo
- Tonelada x Quilômetro útil -


Os dados foram calculados considerando apenas os modais rodoviário, ferroviário e aquaviário.


(Fonte: Coppead)



Agora, veja o seguinte gráfico, apresentado na coluna Panorama Econômico do jornal "O Globo", de 14/06/2008 (dados compilados pelo prof. Manoel Reis)

Quem é que carrega


* Inclui dutoviário

A julgar pelos dois gráficos, confrontados os respectivos dados, podemos concluir que:

  passou a ser bem pequena, agora, a utilização, pela Rússia, do modal rodoviário, se comparada com o Brasil e os Estados Unidos.
  os Estados Unidos continuam apresentando maior utilização do modal rodoviário em relação ao ferroviário.
  o Brasil, ainda que timidamente, apresenta um crescimento na utilização do modal ferroviário.
  não há discrepâncias quanto à utilização, nos dois momentos, por parte do Brasil, Estados Unidos e Rússia, do modal hidroviário.
  o Brasil tende, nos próximos anos, a superar os Estados Unidos e a Rússia, no tocante ao uso do modal ferroviário.

Questão No  36 
Atenção, malandrage! Eu num vô pedir nada, vô te dá um alô! Te liga aí: Aids é uma praga que rói até os mais fortes, e rói devagarinho. Deixa o corpo sem defesa contra a doença.
Quem pegá essa praga está ralado de verde e amarelo, de primeiro ao quinto, e sem vaselina. Num tem dotô que dê jeito, nem reza brava, nem choro, nem vela, nem ai, Jesus (...).

(Agência Adag. Realização: TV Cultura, 1988.)



O trecho anterior foi tirado de um vídeo exibido na Casa de Detenção de São Paulo e foi produzido com o objetivo de ensinar aos presos formas de prevenção contra a Aids. A escolha da linguagem utilizada tem a finalidade de:

  mostrar a fala do dia a dia das pessoas.
  imitar a fala de um advogado no tribunal.
  ridicularizar a forma de falar de certo grupo social.
  expressar proximidade com a fala dos presidiários.
  reproduzir a fala de uma determinada região.

Questão No  37 
As ilustrações a seguir são exemplos de pinturas rupestres, que, em muitos casos, deixam dúvidas sobre que cena e/ou ação está sendo desenvolvida e/ou representada. De modo geral, percebemos a representação de animais e da figura humana, geralmente em situações que sugerem cenas de caça e movimentos que se assemelham à dança ou outras práticas cotidianas.



Ao analisar as imagens nos exemplos I, II e III, pode-se interpretar que elas sugerem:

  representações que ressaltam os constantes conflitos entre os povos primitivos do Brasil e os povos primitivos vindos da Europa.
  cenas de rituais de coroação a deuses e reis.
  ações relacionadas a aspectos cotidianos: caça, hábitos, modos, costumes.
  representações de rituais de celebração ao sucesso da caça de grandes dinossauros.
  situações que envolvem a guerra entre o homem primitivo brasileiro e o homem branco durante o período colonial.

Questão No  38 

Texto I

preto
preto         um jato
preto
preto         um óleo
preto
preto         um fato
preto
preto         petróleo        nosso
                                       nosso
                                       nosso
                                       nosso
                                       nosso
                                       nosso
                                       nosso
                                       nosso        petróleo

(José Lino Grünewald)



Texto II

CANÇÃO DO EXÍLIO FACILITADA


lá?
ah!

sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...

cá?
bah!

(José Paulo Paes)



Os dois textos exemplificam manifestações contemporâneas da nossa arte literária. Sobre eles, formulam-se as seguintes observações:

I. No texto I, as repetições cumprem importante valor expressivo e a do pronome possessivo contribui para reforçar a temática nacionalista presente no poema.

II. No texto II, as interjeições, vinculadas aos advérbios que as antecedem, justificam o título do poema, que "dialoga" com a ufanista "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias.

III. Os dois textos seguem a tradição literária, porque apresentam a rima e o ritmo como recursos expressivos próprios da criação poética.

IV. Ao contrário do texto I, o texto II apresenta uma visão pessimista da realidade nacional, manifestada pela enumeração dos substantivos nele presentes.

A propósito desses comentários, assinale a opção correta, dentre as que se seguem:

  Estão corretas todas as observações formuladas.
  Apenas estão corretas as observações I e II.
  Somente não é correta a observação IV.
  Não são corretas as observações II e IV.
  Estão incorretas as observações I, II e III.

Questão No  39 
A seguir, são apresentadas declarações de duas personalidades da História do Brasil a respeito da localização da capital do país, respectivamente um século e uma década antes da proposta de construção de Brasília como novo Distrito Federal.

Declaração I: José Bonifácio


Com a mudança da capital para o interior, fica a Corte livre de qualquer assalto de surpresa externa, e se chama para as províncias centrais o excesso de população vadia das cidades marítimas. Desta Corte central dever-se-ão logo abrir estradas para as diversas províncias e portos de mar.

(Carlos de Meira Matos. Geopolítica e modernidade: geopolítica brasileira.)



Declaração II: Eurico Gaspar Dutra


Na América do Sul, o Brasil possui uma grande área que se pode chamar também de Terra Central. Do ponto de vista da geopolítica sul-americana, sob a qual devemos encarar a segurança do Estado brasileiro, o que precisamos fazer quanto antes é realizar a ocupação da nossa Terra Central, mediante a interiorização da Capital.

(Adaptado de José W. Vesentini. A Capital da geopolítica.)



Considerando o contexto histórico que envolve as duas declarações e comparando as ideias nelas contidas, podemos dizer que:

  ambas limitam as vantagens estratégicas da definição de uma nova capital a questões econômicas.
  apenas a segunda considera a mudança da capital importante do ponto de vista da estratégia militar.
  ambas consideram militar e economicamente importante a localização da capital no interior do país.
  apenas a segunda considera a mudança da capital uma estratégia importante para a economia do país.
  nenhuma delas acredita na possibilidade real de desenvolver a região central do país a partir da mudança da capital.

Questão No  40 
Texto I

NO MEIO DO CAMINHO


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

(Carlos Drummond de Andrade)



Texto II

NEL MEZZO DEL CAMIN


Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

(Olavo Bilac)



É comum o "diálogo" de textos na nossa literatura. É possível imaginar-se, por exemplo, que Drummond, na construção do seu poema (texto I), tenha tomado como referência o de Bilac (texto II). Isso teria acontecido não apenas na "tradução" do título, mas também em outra manifestação de imitação formal do fazer poético de Bilac, configurando-se a hipótese de uma "paródia da forma", que consistiria:

  no emprego de repetições com inversões sintáticas.
  no uso de forma fixa de poema.
  na utilização de rimas ricas.
  na preocupação com a métrica e estrofação regulares.
  na identificação temática.



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