Rio de janeiro, 15 de dezembro de 2017

Liderança: novos rumos

Lidiane Coelho

 O termo liderança tem ocupado lugar de destaque nos meios empresarial e acadêmico. Entre tantas questões que envolvem o tema, os holofotes miram para a atuação dos líderes frente ao novo quadro de nossa sociedade. 

 Vivemos em uma era de rupturas e mudanças, com um mercado extremamente competitivo e em constante mutação. São muitos os desafios: mercados globais, informações em excesso, fim do emprego tradicional, novo cenário demográfico, consumo desenfreado, estresse, degradação do meio ambiente, crise de valores etc. Dúvidas, incertezas, medos, e até derrotas, por vezes compõem a nuvem cinza que parece visitar nosso cenário empresarial e educacional.

 Sob essa nova perspectiva econômica e social, as empresas enxergam que é preciso tomar novos rumos e decisões para acompanhar tais transformações, sair da sombra dessa escura nuvem para alcançar sucesso. Talvez até um novo modelo de sucesso.

 Um cenário, a princípio, caótico. No entanto, parafraseando Nietzsche, é do caos que nasce a luz! E é nesse contexto que o tema liderança parece ecoar ainda mais. 

 Como liderar pessoas e processos nesse panorama? Como ter em sua equipe pessoas motivadas, engajadas e comprometidas? Como conduzir sua equipe para alcançar resultados concretos e duradouros nessa conjuntura? Como gerenciar na mudança e a mudança? Como lidar com pessoas que, em geral, temem a mudança ou os sentimentos que são provocados por ela? Qual seria o novo papel do líder? Estarão os líderes preparados e dispostos a assumirem seu novo papel? São algumas das indagações que trazem mais luz a essa reflexão.

 Não há respostas fáceis ou únicas. No entanto, estudos das últimas décadas e experiências de sucesso já aparecem como um norte e trazem não uma receita pronta, mas talvez o tempero certo para esse contexto. O papel da liderança destaca-se como peça chave da engrenagem de uma organização. 

 Terão sucesso aquelas empresas capazes de gerenciar processos e pessoas de forma rápida, inteligente, eficaz, sustentável e humana. Terão sucesso as organizações que proporcionarem, através de suas lideranças, a alta performance individual, logo, o crescimento também institucional. 

 Rhandy Di Stefano diz que o líder deve ser “aquele que entende o potencial de seus liderados e reconhece o seu papel no desenvolvimento deles. Ele entende que o conceito de capital humano deve ser aplicado na prática”. O foco está nessa evolução, no momento que o líder deixa de dar ordem e passa a conseguir que seu liderado tenha vontade de buscar suas próprias respostas, se autodesenvolva. A ideia é que a pessoa perceba sentido no que faz, sinta-se pertencente e assim busque as respostas e soluções de forma prazerosa, pois o trabalho já não é mais somente visto como uma obrigação ou fonte para pagar as contas, mas como um meio de vivenciar ou alcançar seu propósito de vida, de contribuir para algo bem maior. Como dizia Confúcio, “escolhas um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”. Assim, terão os melhores resultados e ganharão maiores espaços os líderes que proporcionarem a oportunidade para o ser humano expressar sua vida através do trabalho.

O líder deve, então, além de dividir seus conhecimentos, seu know-how, como no papel de um professor, também proporcionar o aprendizado e o desenvolvimento de todos de sua equipe, buscando o melhor de cada um. Ao líder compete ser o elemento facilitador, descobrindo a melhor forma de cada colaborador expressar melhor os seus melhores talentos e conhecimentos para atingir metas pessoais e coletivas. Essa atitude de liderança é chamada de “atitude coach”, atitudes de um líder-coach!

 Para Peter Drucker, é tarefa do líder alinhar os pontos fortes da equipe de uma tal maneira que as fraquezas tornem-se irrelevantes. É importante que a equipe saiba aplicar de forma positiva suas forças e gerenciar suas fraquezas também buscando no outro o que lhe falta. Assim, o líder-coach aparece também como gerador de equipes autossuficientes e de alta performance, que percebam onde suas capacidades se complementam. O líder-coach estimula sua equipe a ter capacidade de autoliderança. É perceber que a equipe “funciona” mesmo sem a presença do líder. São líderes formando líderes.

 A perspectiva do líder-coach não tem a intenção de ser uma solução mágica para todos os problemas ou indagações atuais, mas vem trazer uma possibilidade mais humana, proporcionando o crescimento da equipe, logo, colaborando para o sucesso da organização. Afinal, a árvore cresce pelo que recebe de suas raízes e também pelas condições favoráveis ao seu redor.  

 

Lidiane Coelho – Coordenadora Pedagógica do Colégio Sagrado Coração de Maria e Coach de Liderança

 

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