ENEM TEM MENOR NÚMERO DE INSCRITOS DESDE 2007

A edição de 2021 do Exame Nacional do Ensino Médio teve o menor número de inscritos desde 2007.
Jhonne da Silva mora com a avó e dois tios numa comunidade em São Paulo. Conseguiu um estágio para ajudar nas despesas, e desistiu de fazer o Enem este ano para tentar uma vaga na Faculdade de Música. “Eu precisava de 600 pontos e, na minha cabeça, como vou conquistar 600 pontos se eu nem na escola fui?”, disse o jovem de 17 anos.
E há muitos como a Kamila Sales Bezerra, que não se adaptou ao ensino online e, por isso, não se preparou para a prova. “Nessa pandemia, eu fiquei com muita crise de ansiedade e acabou atrapalhando os meus estudos. Foi muito complicado para mim porque eu queria muito estudar, mas acabei decidindo. Não fazer”, explicou.
Hugo Rocha Aguiar, de 18 anos, passa boa parte do tempo trabalhando na oficina de bicicletas do pai. Terminou o ensino médio em 2020 sem quase ir à escola e decidiu se inscrever para o Enem. “Pretendo persistir sem dúvida alguma e cada vez mais me dedicar. Se não for dessa vez, seguir em frente, continuar caminhando até conseguir”, disse.
Pouco mais de 4 milhões de estudantes se inscreveram para o Exame Nacional do Ensino Médio de 2021. É o menor número de inscritos dos últimos 14 anos e 34% menos que no Enem de 2020, o primeiro ano da pandemia.
Especialistas indicam vários motivos para essa queda. Com a pandemia, muitos alunos não compareceram para fazer a prova em 2020 e, como não se justificaram, perderam a isenção na taxa de inscrição. Outros precisaram trabalhar para ajudar a família e a grande maioria está insegura em relação ao aprendizado.
“Eles estão com medo, eles estão se sentindo despreparados. Eles praticamente não tiveram nem o segundo ano, nem o terceiro ano do Ensino Médio. Então devem estar preocupados e talvez esperando mais para se inscrever no ano que vem”, afirmou Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Conselho Nacional de Educação.
Jhonne diz que só adiou o sonho de estudar Música. Já tem tudo programado para encarar o exame no ano que vem.
“Estou tirando esse mês todo para estudar algumas coisas que envolvam música. Final do ano eu vou tirar para estudar o Enem porque quero estudar a prova que vai cair, quero estudar as provas que já caíram, e focar bastante para ano que vem eu voltar com tudo”, confirmou.
A presidente do Conselho Nacional de Educação diz que os estudantes que vão fazer o Enem ainda neste ano precisam de ajuda: “O problema agora é a falta de confiança no que eles aprenderam. Então, é fundamental que haja um programa de recuperação intensiva, articulado pelo MEC, em parceria com os estados e também com a sociedade civil em geral, com as escolas em geral. Isso precisa ser feito para que os alunos tenham melhores condições de participar do Enem”.
Fonte: portal de notícias G1


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