ENEM: BANCO DE QUESTÕES ESTÁ OBSOLETO, DIZ INEP

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) justificou a iniciativa de estudar a possibilidade de terceirizar a formulação de perguntas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a "calibragem" dos níveis de dificuldade da prova. Segundo o órgão, o sistema está "obsoleto" e o estoque de questões usadas em provas está abaixo do ideal.
"O estoque de itens apresenta-se muito aquém das necessidades existentes, principalmente para realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que exige um volume elevado de itens, os quais devem ser pré-testados", informou o Inep em nota. "A título de exemplo, de acordo com informações da Coordenação Geral de Instrumentos e Medidas (CGIM/Daeb), entre 2009 e 2021, o Inep realizou, de forma efetiva, poucos pré-testes de itens para o Enem, que é o exame mais crítico do processo."
O documento que expõe a iniciativa foi revelado pelo jornal "O Globo" e obtido pelo G1 e está disponível apenas para servidores da autarquia. O arquivo é assinado pelo chefe da Diretoria de Avaliações da Educação Básica (Daeb), Anderson Soares Furtado de Oliveira. Ele pede que sejam apresentados "os prós e contras" de dois cenários: manter o atual esquema, em que uma rede de colaboradores contratada pelo Inep formula as questões que formam o Banco Nacional de Itens, ou terceirizar a demanda, contratando uma empresa para elaborar e revisar os itens, além de equilibrar os níveis de dificuldade.
O Banco Nacional de Itens é composto por questões que podem ser usadas em avaliações do Inep, como Enem, Saeb, Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida).
Todos os itens são formulados por colaboradores (professores) convocados pelo Inep em chamada pública. Eles passam por capacitações e oficinas.
Depois, a autarquia testa e revisa cada uma das questões.
Na hora da montagem do Enem e das demais provas, os servidores do Inep selecionam itens do banco para formar uma avaliação com questões fáceis, médias e difíceis.
Servidores do Inep temem que o instituto perca o controle da composição das provas e não consiga impedir que interessados obtenham "vantagens ilícitas" ao participarem da composição das questões.
Em 2019, o Inep criou uma comissão para fazer uma "leitura transversal" das questões que compõem o BNI do Enem. O objetivo era "verificar a pertinência com a realidade social" dos itens.
À época, "O Globo" revelou, por exemplo, que o termo "ditadura" seria substituído por "regime militar", em um item da prova de Linguagens, Códigos e suas tecnologias.
Um ano antes, o presidente Jair Bolsonaro havia manifestado o desejo de ver as questões do Enem antes da impressão da prova. Ele se queixou de que, na edição de Enem 2018, os candidatos responderam a uma pergunta sobre o pajubá, conjunto de expressões associadas aos gays e aos travestis.
"Podem ter certeza e ficar tranquilos. Não vai ter questão desta forma ano que vem, porque nós vamos tomar conhecimento da prova antes. Não vai ter isso daí", disse.
Neste ano, foi a vez de Milton Ribeiro, ministro da Educação, falar em intervenção no Enem.
"Nós sabemos que, muitas vezes, havia perguntas objetivas ou até mesmo com cunho ideológico. Nós não queremos isso. Queremos provas técnicas", disse.
Depois da repercussão negativa, o presidente do Inep, Danilo Dupas Ribeiro, declarou à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados que o ministro "de forma alguma disse que participará da elaboração" do conteúdo do próximo Enem.
O próprio Ribeiro também voltou ao assunto, dizendo que desistiu da intervenção. "Eu abri mão de acessar toda e qualquer interpretação que eventualmente alguém possa dar, de uma censura prévia, ou coisa do tipo. De maneira alguma eu terei acesso às questões do Enem."


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