JOVENS CONTAM COMO ESTUDAR EM UMA UNIVERSIDADE AMERICANA

Os cariocas João Vitor Boechat,17 anos, e Jéssica Honorato, 18 anos, conquistaram bolsas de estudos nas universidades de Duke University e no Wellesley College, ambas nos Estados Unidos. Eles são exemplos de um fenômeno crescente: a ida de brasileiros que optam por cursar a graduação fora do país.
De acordo com o relatório OpenDoors, o número de brasileiros em instituições de ensino norte-americanas aumentou 27% nos últimos quatro anos. Florida e Nova York são os estados que mais recebem estudantes.
Simone Ferreira é coordenadora do EducationUSA, órgão ligado ao departamento de estado americano que orienta pessoas que queiram estudar nos Estados Unidos. Para ela, esse aumento de brasileiros em universidades americanas se deve ao acesso a bolsas, financiamentos e informação detalhada. "É importante também destacar a possibilidade de dupla graduação combinando interesses", conta. "São muitos os estudantes que possuem dúvida em qual área seguir. E as universidades americanas oferecem essa possibilidade para que os alunos conquistem ao final da graduação um duplo diploma", explica.
Para João Vitor estudar no exterior era um sonho. “Eu sempre quis estudar fora, desde pequeno, mas era um sonho distante e muito caro", diz. "Também não falava tão bem o inglês”, explica o estudante.
João conquistou uma bolsa de estudos integral em Duke University e pode optar por fazer dois cursos de graduação ao mesmo tempo, engenharia elétrica e da computação. "Ser aprovado em uma instituição americana já é uma surpresa, mas quando soube que teria uma bolsa, realmente foi uma surpresa", conta. "Quero trabalhar na área de ‘inteligência das coisas’ interligando aparelhos que possam resolver problemas diversos a favor da sociedade".
Bolsista por mérito acadêmico, aos 13 anos João fundou o primeiro clube de robótica da escola e começou a participar de competições de conhecimento. O desempenho do jovem foi reconhecido ao longo das disputas, acumulando mais de 20 medalhas, com destaque para a participação em duas Olimpíadas de Robótica — a principal foi em Quanta, na Índia.
Para aqueles que querem estudar no exterior, João aconselha: "Sonhe alto, o mais alto possível, e, ao mesmo tempo, dê pequenos passos diários com muita disciplina, ninguém atinge o sucesso do dia para a noite — no meu caso foram cinco anos para chegar até aqui.”
A estudante Jéssica foi aceita em Wellesley College, e teve como inspiração a ativista pela educação brasileira Tabata Amaral que estudou ciências políticas e astrofísica em Harvard. "Eu me identifico com a história de atuação profissional dela", diz. "Na época, soube do programa Oportunidades Acadêmicas que a Tabata também participou e ficou no meu radar para busca de oportunidades”.
Ainda no ensino médio, a jovem conquistou uma bolsa de estudos integral em um colégio particular no Rio de Janeiro. Ela desenvolveu um trabalho de mentoria unindo alunos da rede particular com os estudantes de escolas da periferia para trocarem conteúdo.
Ela também participou de projetos de pré-vestibular comunitário e voluntariado de aulas de inglês. Hoje, ela planeja devolver ao Brasil o que vier a aprender na universidade americana. "Sei que sirvo de inspiração para outras pessoas da minha comunidade, por isso quero me desenvolver e trazer da melhor forma possível", diz.
Luka Zanon, 18 anos, é de Cuiabá e é apaixonado por causas sociais. No ensino médio, o jovem foi cofundador da Arena de Jogos em inglês no IFMT (Instituto Federal do Mato Grosso) onde estudava. Por meio de jogos de tabuleiro, Luka engajou mais de 600 alunos em um projeto que ensina a língua inglesa.
“Eu percebia que havia uma dificuldade no aprendizado do inglês. Para algumas pessoas de escola pública, aprender outra língua é muito difícil, muitos precisam trabalhar para ajudar suas famílias e não dispõem de meios para pagar um curso de idiomas”, explica.
Luka foi aprovado em Dartmouth College, mas ainda não decidiu quanto ao curso. “Aqui nós temos até o segundo ano para escolher o curso. Provavelmente farei ciências cognitivas com educação focada no processo de aprendizagem”, diz.
Em comum, além da vontade de estudar fora do país, os três estudantes investiram em uma formação que vai além das notas da escola. A coordenadora EducationUSA, Simone Ferreira, também destaca alguns pontos importantes que ajudam no processo de aprovação dos candidatos às universidades americanas, como: alto desempenho acadêmico, histórico relevante de participação em atividades extracurriculares por meio de projetos, pesquisas e causas sociais, além, claro, de demonstrar domínio da língua inglesa são alguns requisitos durante os processos de aplicações internacionais.
Para os estudantes interessados em conhecer um pouco mais sobre as formas de ingresso e o universo acadêmico americano, podem acompanhar nesta quarta-feira (25) um encontro virtual e gratuito das 16h às 20h com representantes de diversas universidades que oferecem bolsas e oportunidades de estudos nos EUA. As inscrições podem ser realizadas no site do programa.


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