TRADICIONAL EM BH, PITÁGORAS ENCERRA ATIVIDADES

O ano letivo de 2021 deve encerrar de uma forma diferente para os alunos, professores e funcionários do Colégio Pitágoras, em Belo Horizonte. Na escola, que fechará as portas ainda em dezembro deste ano, o costumeiro “até depois das férias” dará lugar ao “adeus”.
Em um gesto de homenagem e carinho ao tradicional colégio da rede particular belo-horizontina, famílias e funcionários abraçaram a estrutura da escola no último dia 19. O clima foi de comoção, tristeza e revolta.
“No Pitágoras éramos uma grande família, uma comunidade unida”, contou Ana Cristina Murta Faria, em entrevista ao Estado de Minas. Mãe de uma das alunas, ela esteve presente no abraço simbólico desta manhã. “Os funcionários foram dispensados sem o menor respeito e nós, pais, fomos praticamente empurrados para outras escolas”, completou.
De acordo com a diretoria do Pitágoras, o colégio foi comprado pelo Grupo Eleva de Educação, junto a outras mais de 50 escolas de ensino básico. A decisão pelo encerramento das atividades partiu do grupo.
A escola, localizada no bairro Cidade Jardim, completaria 56 anos de atividade neste ano. Segundo funcionários, o novo grupo mantenedor do colégio não escutou a comunidade escolar sobre a situação e, sem diálogo prévio, comunicou a decisão há duas semanas. “Fomos fechados desta maneira injusta e cruel com toda a comunidade escolar. Todos serão demitidos em dezembro”, compartilhou uma funcionária, que não quis ser identificada.
A diretoria do colégio afirmou em nota que “os colaboradores estão recebendo o suporte necessário, além de todos os direitos garantidos e assegurados conforme a legislação vigente”. Ainda de acordo com o texto, uma parceria foi firmada com uma outra escola particular, que deve receber todos os alunos que desejarem no início de 2022.
Para crianças e adolescentes, processos de mudança abruptas como esta são desafiadores especialmente para as famílias. “Minha filha chorou quando falei sobre o fechamento da escola. Mas o que falei para ela, ciclos fecham e outros abrem - teremos novos desafios pela frente e novas amizades virão”, disse Rachel Rios Scherrer, mãe de uma das alunas.
Rachel, hoje com 41 anos, é ex-aluna do Colégio Pitágoras e se formou em 1998. Sua mãe também formou-se lá, em 1972. “Nos sentimos em casa, os funcionários e professores nos tratam com muito carinho. Sentiremos muitas saudades”, lamentou.
Cerca de 350 famílias terão que realocar seus filhos para outras escolas no próximo ano letivo e 100 funcionários devem perder seus empregos. Com a notícia do fechamento já próximo ao fim do ano, muitos professores perderam as datas de inscrição em outros processos seletivos e o futuro é incerto.
Fonte: Estado de Minas on-line


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