FUVEST 2022 TEM A MENOR PROPORÇÃO DE INSCRITOS PARA COTAS

Mais de 101 mil estudantes são esperados para a prova da primeira fase da Fuvest 2022 no próximo dia 12. Eles concorrem a 8.211 vagas na graduação da Universidade de São Paulo (USP). O total de participantes é menor do que na edição passada do vestibular, mas a queda foi maior entre o grupo conhecido como PPI: os pretos, pardos ou indígenas.
Do total de USP, pouco mais de 20 mil, ou 20,1%, se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas no ato de inscrição. É a menor proporção em nove anos, maior apenas que a da Fuvest 2013, quando 19,6% dos candidatos eram PPI.
Em entrevista à TV Globo, o professor Edmund Chada Baracat, pró-reitor de Graduação da USP, disse que a queda é um reflexo da pandemia.
“Realmente a pandemia diminuiu o número de estudantes de uma maneira geral que estão se inscrevendo nos vestibulares. Tanto na Fuvest nós tivemos redução, como nós tivemos redução no Enem, teve uma queda muito grande”, afirmou.
A queda na representatividade vai de encontro à recente evolução da inclusão racial na USP. Em 2021, pela primeira vez a universidade conseguiu ter mais de metade dos novos calouros oriundos de escolas públicas de ensino médio. Esta era uma meta que a universidade queria ter batido em 2018.
Mas, em 2017, o Conselho Universitário (CO) adiou a meta até 2021, na mesma reunião em que decidiu adotar cotas sociais e raciais no vestibular da Fuvest.
A meta era progressiva e foi aumentando ao longo dos anos. A partir de 2021, a determinação é que pelo menos 50% dos ingressantes em cada curso e turno sejam estudantes da rede pública e, desses, pelo menos 37,5% sejam do grupo PPI – a porcentagem de 37,5% equivale à proporção da população preta, parda ou indígena no estado de São Paulo, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O pró-reitor afirmou que, neste ano, 86% dos cursos da USP conseguiram cumprir a meta de ter metade dos ingressantes de escola pública, e 83% cumpriram a meta referente aos estudantes PPI. Isso representa 34 cursos da instituição.
Na média geral das unidades, Baracat afirma que a porcentagem sobe para 88% nos dois casos, o que garantiu que a USP como um todo chegasse à meta. “Nós tivemos um aumento importante, quase 52% dos ingressantes em 2021 provenientes de escolas públicas, e o percentual de 44% de estudantes pretos, pardos ou indígenas”, afirmou ele.
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu), atualmente, é o principal sistema pelo qual a USP reserva vagas nas cotas raciais. Na divisão de vagas para 2022, do total das 8.211 oferecidas pela Fuvest, 1.088 (13,3%) são reservadas para estudantes de escola pública PPI. Já entre as 2.936 vagas em disputa no Sisu, 1.093 (37,2% do total) são para esses cotistas. Considerando a cota da rede pública, a situação se inverte: a maioria das vagas reservadas estão na própria Fuvest, 2.169, contra 1.237 no Sisu.
“Nós atingimos a meta de 50% de escolas públicas. Então agora, a ideia é que se mantenha esse número e que se faça uma análise da evolução dos ingressantes nessas duas modalidades de ingresso, e nas formas de ingresso”, afirmou Baracat.


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