O QUE MUDOU NA EDUCAÇÃO DESDE A ÚLTIMA VEZ EM QUE BRASIL GANHOU A COPA

Da última vez em que a seleção brasileira foi campeã da Copa do Mundo, a educação no Brasil passou por transformações. Um levantamento do Itaú Social mostra que, de 2002 para cá, mesmo com muitos desafios ainda a superar, a educação avançou de forma relevante. O acesso à educação infantil foi ampliado, as matrículas em escolas de tempo integral cresceram e novas políticas passaram a fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios.

“São conquistas que merecem ser reconhecidas porque resultam de esforços contínuos e de políticas públicas que atravessaram diferentes períodos. Mas a experiência também mostra que os avanços educacionais exigem persistência. O desafio agora é transformar esses progressos em melhores oportunidades de aprendizagem para todos os estudantes e garantir que as metas estabelecidas para os próximos anos se traduzam em resultados concretos nas escolas”, afirma Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.

Segundo o instituto, a educação infantil passou por mudanças significativas. De acordo com o Censo Escolar de 2002, cerca de 11% das crianças de até três anos estavam matriculadas em creches, o equivalente a aproximadamente 1,1 milhão de estudantes. Em 2025, esse percentual chegou a 44%, totalizando 6,1 milhões de matrículas.

O levantamento aponta que esse crescimento foi impulsionado por políticas públicas como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), criado em 2006, que ampliou o financiamento da educação básica e garantiu mais recursos às redes municipais, principais responsáveis pela oferta dessa etapa de ensino.

Outro marco importante foi a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), em 2014, que estabeleceu como meta atender 50% das crianças de até três anos em creches – objetivo ainda não alcançado. O plano também determinou a universalização da pré-escola para crianças de quatro e cinco anos, etapa que hoje registra cobertura próxima de 95%.

Já a aprovação do Sistema Nacional de Educação (SNE), em 2025, representou um avanço na coordenação das políticas educacionais, ao estabelecer diretrizes para fortalecer a colaboração entre União, estados e municípios.

Outra mudança expressiva desde o último título mundial da seleção em 2002, apontada pelo Itaú Social, foi a ampliação das escolas de tempo integral. Quando o indicador começou a ser monitorado, em 2014, 17,8% dos estudantes da educação básica pública estavam matriculados em escolas com jornada mínima de sete horas diárias. No ano passado, esse percentual foi de 25,8%, segundo o Censo.

O avanço foi impulsionado por iniciativas como o programa Mais Educação (2007), o PNE (2014), o novo Fundeb (2020) e o programa Escola em Tempo Integral (2023).

O desafio continua sendo a aprendizagem. No último PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), apenas três em cada dez estudantes brasileiros conseguiram aplicar conhecimentos matemáticos em situações práticas do cotidiano. Entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a média é de sete em cada dez.

(Fonte: O Globo)



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