ENEM 2028 DEVE TER QUESTÕES ABERTAS E TEMAS DE REDAÇÃO DIFERENTES

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2028 não deve ter mais a mesma prova para todos os milhões de jovens que participam do maior vestibular do País - a redação também será diferente. Segundo o Estadão apurou, na inscrição o estudante poderá escolher uma das cinco áreas de aprofundamento do novo ensino médio e uma sessão da prova será destinada a ela. Essa nova parte do exame deve ter quatro questões escritas e a redação. Dessa forma, a quantidade de questões de múltipla escolha - que hoje são 180 - deverá ser reduzida. A ideia não é aumentar o tempo de prova.

As mudanças ainda não foram anunciadas oficialmente, mas na semana passada o ministro da Educação, Leonardo Barchini, confirmou que o Enem será alterado. “Fazer perguntas abertas para fomentar leitura e escrita é muito importante. A própria redação tende a ser alterada, mas toda vez que mexe com Enem tem de ter cuidado”, afirmou, durante o 10º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, da Jeduca. Não é prevista nenhuma mudança para os candidatos que fazem a prova neste ano, que segue o mesmo modelo das edições anteriores.

O ministro ainda citou os resultados recentes do Pisa, exame internacional de estudantes de 15 anos, que mostrou queda histórica no desempenho de leitura no mundo. “A questão das telas nos preocupa bastante porque temos de prender a atenção do estudante por muito tempo e isso tem ficado cada vez mais difícil.”, disse Barchini. A nova proposta para o Enem deve ser finalizada no fim deste ano.

O novo ensino médio - que introduz um currículo flexível para os jovens - havia sido aprovado durante a gestão de Michel Temer (MDB) em 2017. Após críticas, o modelo foi reformulado no governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A principal mudança de 2025 foi ampliar a carga horária da formação geral básica e reduzir a carga que é destinada aos itinerários formativos.

Nesse novo currículo, os estudantes podem escolher entre um dos cinco aprofundamentos, que são combinados com a formação geral — Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas ou ainda ensino técnico e profissional.

São essas áreas que devem fazer parte do Enem em 2028 na sessão dissertativa da prova. A ideia é ter quatro perguntas e uma redação diferentes para cada itinerário, inclusive para quem escolheu o ensino técnico.

A intenção da área de educação do governo não é a de que a área escolhida pelo aluno determine a carreira que ele vai cursar na universidade e, sim, que reflita o percurso percorrido no ensino médio.

Nova sessão deve exigir que alunos escrevam 50 linhas

Um exemplo do que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC responsável pelo exame, tem pensado são questões dissertativas sobre compreensão de texto ou resolução de problemas. Mas os materiais apresentados na prova seriam diferentes em cada área, com assuntos relacionados ao itinerário formativo - por exemplo, textos sobre saúde no trabalho ou sobre música, dependendo da área escolhida.

A redação também seguiria esse mesmo molde. A ideia é de que essa parte exija que o aluno escreva cerca de 50 linhas no total, incluindo as questões abertas e a redação. O desafio dos técnicos do Inep é elaborar um modelo em que as questões, embora diferentes, continuem sendo comparáveis, já que as notas do Enem são usadas para seleção em universidades.

A prova usa uma metodologia, chamada de Teoria de Resposta ao Item (TRI), que consegue discriminar com muito mais precisão a diferença de desempenho, em especial para cursos concorridos como Medicina. A TRI dá ou tira pontos dos alunos conforme seu padrão de acertos. Por exemplo: o candidato que acertou uma questão tida como difícil, mas errou a fácil, não terá nota tão boa. Ele é penalizado porque a metodologia entende que ele acertou a mais difícil ao acaso ou com um chute.

Para que essa informação exista, as questões devem estar ordenadas numa régua de dificuldade. E, por isso, existe o pré-teste do Enem, em que as questões são aplicadas previamente a um grupo com perfil semelhante para que o resultado desses alunos sirva como referência. Não há informações ainda sobre pré-testes que seriam feitos com as novas questões dissertativas.

Ideia antiga

As mudanças atendem a uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE), que pediu em 2025 que fossem feitas adaptações necessárias para que o Enem estivesse plenamente alinhado às novas diretrizes até 2028, considerando competências e habilidades comuns a todas as áreas do ensino médio. Mas, desde o início do governo Lula, o Inep já pretendia fazer provas do Enem diferentes, conforme as escolhas do novo ensino médio.

Em 2023, em entrevista ao Estadão, o presidente do Inep, Manuel Palácios, afirmou que o órgão trabalharia para ter um prova já em 2024 que avaliasse não só o conteúdo comum, mas também as áreas específicas A ideia foi depois adiada e a reforma do ensino médio passou por longo processo de revisão da reforma aprovada em 2017.

Ao longo de 2023, o governo Lula promoveu consulta pública sobre o modelo, enquanto uma subcomissão do Senado realizou audiências com representantes de estudantes, professores, gestores, governo e entidades da área. Em outubro daquele ano, o governo enviou ao Congresso o projeto que propunha alterar as regras. A proposta foi aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula em 31 de julho de 2024.

(Fonte: O Estado de São Paulo)



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