![]() |
||
|
||
|
NÚMERO DE ALUNOS QUE ACERTARAM 90% DAS QUESTÕES DO ENEM SALTOU EM 3 ANOS
O número de alunos que acerta mais de 160 das 180 questões das provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) explodiu desde 2023. Apenas 577 candidatos haviam conseguido esse patamar entre 2016 e 2022, somando todas as edições. Já nos últimos três anos, a quantidade subiu para quase 4 mil, o que corresponde a sete vezes o somatório dos sete anos anteriores. O levantamento é do professor Frederico Torres, estatístico especialista nos microdados da prova. A partir desta terça-feira (8), vão faltar exatamente dois meses para o primeiro dia da aplicação do Enem de 2026. O exame será realizado nos dias 8 de novembro, com exame de Linguagens, Ciências Humanas e Redação, e 15 de novembro, com Matemática e Ciências da Natureza. De acordo com Torres, um conjunto de motivos explica o aumento exponencial, nos últimos três anos, de candidatos que conseguem quase 90% de acertos. O principal é a prova ter ficado, na avaliação dele, mais “fácil”. “Na Matemática, por exemplo, não vêm aparecendo questões realmente desafiadoras. Para se ter uma noção, em 2022, só 10 pessoas gabaritaram a prova de Matemática. Já em 2023 e 2024, mais de 500 pessoas conseguiram”, afirmou Torres, idealizador do curso Mente Matemática. “Nas outras provas, está acontecendo a mesma coisa. Eu faço o Enem como candidato todo ano. Nunca tinha passado de 38 acertos em Linguagens. Nos últimos dois anos, acertei 41, em 2024, e 43, em 2025, sem nenhuma preparação diferente. Foi só uma prova mais fácil”. Em nota, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) responsável pela produção da prova, negou que o Enem esteja mais fácil. “O aumento no número de participantes com mais de 160 acertos não é uma anomalia e não indica que o Enem tenha ficado mais fácil a partir de 2023. A variação observada ao longo das edições pode refletir, sobretudo, o desempenho dos participantes, não sendo afetada pela dificuldade das provas”, responde o órgão. Torres, no entanto, afirma que a edição de 2025 foi a primeira em que uma pessoa chegou perto de acertar a prova inteira. O candidato, de acordo com os microdados do Enem, só errou uma das 179 questões válidas — outra das 180 foi anulada. “Já estamos perto de alguém gabaritar o Enem. Isso era algo inimaginável há quatro, cinco anos atrás”, afirma o especialista. Torres acredita ainda que outros fatores contribuíram para essa mudança. Entre eles, está a consolidação de um modelo reconhecível da prova, o que melhorou a preparação dos alunos para enfrentá-la. “Hoje também tem uma preparação mais bem direcionada. As pessoas entendem melhor do Enem, da matriz de referência da prova, diz ele. Ficou mais difícil? O número de alunos que acertam mais de 160 questões da prova explodiu, mas ainda é uma fração muito pequena dos candidatos. Em 2024, por exemplo, apenas 1,8 mil de um total de 3 milhões de pessoas que fizeram a prova chegaram a esse patamar. Ou seja, apenas 0,06% conseguiram esse desempenho. Por isso, a competição por vagas na maior parte dos cursos não é afetada. No entanto, os mais disputados — como Medicina em instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — acabam sendo impactados. Nesse caso, diz Torres, os candidatos agora precisam acertar mais questões do que precisavam no passado. Mas isso não significa, necessariamente, chegar a 90% de acertos. Primeiro, porque a nota da Redação pode ter peso maior nessas disputas e fazer a diferença. Além disso, explica o professor, um aluno com número menor de acertos pode tirar nota mais alta do que outro que acertou mais. A explicação está na forma como a prova é corrigida: pelo método da Teoria de Resposta ao Item (TRI), usado internacionalmente em avaliações educacionais, que privilegia a coerência pedagógica. Por causa dela, alunos que erram questões fáceis tiram menos pontos mesmo que acertem uma difícil. Neste cenário, a TRI entende que o estudante pode ter chutado o item mais complicado. “Com 40 acertos (de 45 questões) na Matemática, você pode ter uma variação de 80 pontos na nota. Ou seja, alguns alunos vão ficar com 880 e outros com até 960. Por isso, dependendo da coerência pedagógica, você pode acertar menos questões e tirar uma pontuação maior do que os concorrentes”, explica o especialista. Por isso, o professor Frederico Torres diz que os candidatos que buscam as vagas mais competitivas precisam, neste cenário em que mais inscritos chegam ao patamar de 90% de acertos, garantir atenção total nas questões mais fáceis. “A prova beneficia quem está mais atento e que erra menos por besteira do que aquele aluno que sabe mais profundamente alguma questão”, diz. Outro efeito da TRI no Enem é fazer com que as notas não variem tanto em provas mais fáceis. A explicação está no fato de a correção dar menos pontos para questões que muitas pessoas acertaram. De acordo com Torres, o método “corrige” esse problema e, assim, é possível comparar notas de um ano com outro. Isso é importante porque desde 2026 o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) passou a aceitar que os alunos possam usar notas das últimas três edições do Enem para competir pelas vagas. “Em 2022, teve aluno com 34 acertos na Matemática tirando 900 pontos, enquanto em 2024 a maioria que conseguiu 40 questões certas não chegou a 900”, diz o especialista. Em nota, o Inep informou que esse modelo garante a comparabilidade rigorosa das notas em todas as edições. “Esse modelo matemático calibra o nível de dificuldade das questões de forma contínua, o que garante que a estrutura da prova mantenha o mesmo padrão de exigência ao longo dos anos. Portanto, eventuais variações na dificuldade do caderno de questões não inflam e nem distorcem a medida de proficiência”, diz o órgão. (Fonte: O Globo)
| ||||
| Boleteen - Colégio 24 Horas | ||||