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ENEM 2026: VEJA 10 TEMAS QUE PODEM CAIR NA REDAÇÃO, SEGUNDO PROFESSORES
Tradicionalmente centrada em problemas sociais de impacto e possíveis caminhos para solucioná-los, a prova de Redação do Enem está chegando e requer atenção nestas últimas semanas. As principais orientações dos professores para os candidatos, a esta altura, são: - Acompanhar o noticiário - Ficar atento aos assuntos que mobilizaram o debate público nos últimos anos - Manter no radar novas leis criadas a partir de demandas da população Confira 10 apostas de temas, elencadas por professores.
É o grupo vulnerável que não figurou entre os temas recentes do exame, lembra Nathan Sena, professor e coordenador de Linguagens do Elite Rede de Ensino, parceiro da Amplia Plataforma de Ensino. Conecta-se diretamente a inclusão escolar, mercado de trabalho e saúde mental. Para se preparar, o candidato deve estudar a Lei Brasileira de Inclusão, de 2015. É recomendável usar como repertório dados sobre o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, e falar sobre acessibilidade arquitetônica, formação de professores e capacitismo. Vale lembrar que estão em debate o aumento de diagnósticos de TEA no país e a carência de mediadores nas escolas.
Traz questões ligadas a meio-ambiente e desigualdade racial e territorial, interseção que o Enem historicamente faz: um grupo vulnerabilizado, um problema estrutural e soluções baseadas nos direitos humanos, explica o professor Nathan Sena. O candidato precisa dominar o conceito de racismo ambiental, ou seja, o fato de populações de periferias, indígenas e ribeirinhas serem mais atingidos por enchentes, deslizamentos de terra e pela falta de saneamento básico. Convém lembrar os recentes desastres climáticos no Brasil, e usar dados do IBGE sobre cobertura de esgotamento sanitário e coleta de lixo em áreas periféricas.
A questão cultural não tem estado tão presente na redação do Enem, e pode ser relacionada à da soberania nacional, pauta que tem ganhado grande apelo público. De acordo com o professor Nathan Sena, o candidato pode falar sobre as cotas de conteúdo nacional em plataformas de streaming, a Lei do Audiovisual e outros mecanismos de incentivo, além do projeto de streaming público brasileiro, que reúne acervos do Iphan e da Funarte. Cabe mencionar o sucesso dos filmes “Ainda estou aqui” e “O agente secreto” em premiações internacionais e nas bilheterias.
É um tema ainda inédito no Enem e com forte repercussão, por envolver automação, desemprego e desigualdade de acesso à qualificação tecnológica. Como se preparar, de acordo com Nathan Sena, professor do Elite Rede de Ensino, parceiro da Amplia Plataforma de Ensino: conferir o conteúdo do Projeto de Lei 2338/2023, que é o Marco Regulatório da IA no Brasil e pesquisar sobre a desigualdade de acesso a cursos de requalificação profissional. Duas sugestões: evitar adotar um tom apocalíptico (o que vale para qualquer tema da redação), e focar em uma proposta de intervenção realista, incluindo capacitação, fiscalização e transição justa para o trabalhador.
É um tema que apresenta um problema social relevante, de impacto nacional. Segundo Fernanda Andrade, professora de Redação da Escola SAP, o aluno pode falar sobre as desigualdades entre as regiões, citar a Constituição Federal e obras literárias clássicas. Entre essas obras, estão as que retratam a pobreza extrema decorrente da seca, como “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, que ilustra como o isolamento geográfico e a falta de recursos básicos destroem as perspectivas de futuro de famílias sertanejas. Na contemporaneidade, esse “deserto de conhecimento” se traduz na falta de inclusão digital.
A prova já tratou desse assunto, que segue em alta, explica Fernanda Andrade, professora de Redação. O candidato pode mencionar a Lei 15.100, de janeiro de 2025, que baniu celulares das escolas brasileiras em toda a educação básica. Outra sugestão é citar a Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Jean Piaget, que demonstra que a infância exige experiências sensoriais e motoras e interações sociais diretas com o meio físico para a construção do pensamento abstrato e da empatia. O uso indiscriminado da tecnologia pode ser criticado por limitar essas vivências concretas, confinando o desenvolvimento às telas. Há ainda o risco de crimes virtuais que vitimam as crianças.
Violência sexual, agressões entre alunos, ataques a professores, bullying e outras situações semelhantes vivenciadas no ambiente escolar vêm aparecendo no noticiário com cada vez mais frequência; muitas vezes, por conta de vídeos viralizados nas redes sociais. O candidato pode discorrer sobre casos como estes e se valer também da Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, que defende a educação como uma prática de libertação e conscientização. A obra ajuda a compreender que a escola é um espaço de mediação de conflitos e humanização, em que a empatia deve ser cultivada.
O debate sobre a escassez de trabalhadores da educação no país está quente. O envelhecimento dos quadros e a drástica queda na busca por licenciaturas acenderam o alerta do Ministério da Educação. É um cenário que ameaça o desenvolvimento do Brasil. O tema é visto como uma forte possibilidade por Letícia Lima, professora de Redação e Linguagens da plataforma AMentoria: O candidato deve citar as pesquisas que mostram que a categoria tem alto grau de estresse e que a maioria já sofreu algum tipo de agressão na escola. Pode mencionar também o alto índice de desistência da profissão, pelos salários defasados. Vale reforçar a necessidade de os governos ampliarem as políticas de atração e retenção de professores e de reajustarem o piso salarial.
O uso indiscriminado de canetas emagrecedoras, mesmo por quem não tem indicação médica para utilizá-las, é um dos assuntos do momento. O abuso de esteroides também. Segundo a professora Letícia Lima, vale citar os casos de morte por suposto excesso de anabolizantes, como a do fisiculturista Gabriel Ganley, em maio, e ainda apontar a falta de fiscalização sanitária. O candidato pode explicar ainda que o consumo é impulsionado por algoritmos e pela cultura do imediatismo, que acabaram levando à normalização de medicamentos injetáveis para perda de peso e de anabolizantes, como se fossem cosméticos de farmácia. E não esquecer de analisar a busca de um padrão de beleza inalcançável, impulsionada pelas redes, e do risco de dismorfia corporal, transtorno psicológico em que a pessoa enxerga sua aparência física de forma distorcida.
Escancarados desde a pandemia da Covid-19, as notícias falsas sobre as vacinas e o enfraquecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) podem estar na redação do Enem porque afetam diretamente a saúde da população e demandam uma resposta imediata do Estado e da sociedade civil, explica Letícia Lima. A queda nas coberturas vacinais e a volta de doenças que já estavam erradicadas ou controladas, como o sarampo e a coqueluche, são pontos a serem incluídos no texto, assim como a visão da vacinação como pacto coletivo de saúde. Vale relembrar a Revolta da Vacina, de 1904, e a importância do PNI, criado há mais de 40 anos. (Fonte: O Globo)
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