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BRASIL PRECISA DE 15 MIL ESCOLAS E 3,8 MIL CRECHES PARA SUPRIR DEMANDA
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, revelou ao jornal O Globo as primeiras informações de um plano de infraestrutura para a educação que será divulgado ainda este mês por exigência do Plano Nacional de Educação (PNE). De acordo com ele, o país precisa construir 15 mil escolas e reformar outras 6,3 mil para conseguir atender 60% dos alunos em tempo integral. Neste momento, toda a rede pública do país tem 137 mil colégios. Ele contou também que o Prêmio Capes Talento Universitário, avaliação aplicada a estudantes no primeiro ano da faculdade, foi extinto depois que um professor de cursinho identificou que a prova era usada para pré-testar questões do Enem e, dias antes da aplicação do exame em 2025, divulgou em live questões quase iguais às que caíram no exame. Em 2025, o Enem ficou marcado por um curso que identificou onde as questões do exame eram pré-testadas. Isso pode acontecer novamente este ano? Todas as questões são pré-testadas, e fazemos com enorme cuidado. Sempre há risco, mas não afeta o rendimento dos estudantes. Sempre existiu algum cursinho que acerta alguma questão porque elas são muito parecidas com o que sempre foi cobrado nos vestibulares. E isso não quer dizer que vai afetar a competitividade nem a lisura do processo. No ano passado, um professor identificou que a prova do Prêmio Capes era usada para pré-testes. Ela voltou a ocorrer? Não tem mais, e diversificamos a estratégia de calibração de itens. Existem diversas ferramentas para realizar esses testes, tanto em escolas públicas quanto em privadas. A prova do Enem de 2025 apresentou um novo formato, o testlets (um texto longo que ancora várias questões). Como o MEC avaliou essa experiência? Vai aparecer novamente? A avaliação foi extremamente positiva. O Enem valoriza a compreensão global em vez de itens isolados. E o testlet permitiu avaliar a capacidade do estudante de compreender textos complexos e encadear o raciocínio até atingir o objetivo da questão. Se vai aparecer de novo, a gente não sabe (risos). Quem faz a prova é o Inep, e a gente não interfere. Eu espero que tenha. O MEC está preparando mudanças para o Enem em 2028. Estão prontas? Ainda não há nada definido. A expectativa é que a proposta técnica esteja pronta até o final do ano, preferencialmente em novembro. O PNE prevê que o MEC divulgue, ainda em outubro, um plano para infraestrutura da educação. O que já está definido? O PNE prevê a criação de um Plano Nacional de Infraestrutura Escolar para que todas as outras metas sejam atendidas, como ter 50% dos alunos das matrículas em tempo integral. Mas o Brasil ainda tem desafios em relação a escolas precárias, sem bibliotecas, laboratórios, quadras esportivas. Estamos finalizando o levantamento dessas necessidades para apresentar o plano. As soluções variam: alguns entes federativos focarão na construção de novas escolas, outros na ampliação e reforma. Já há algo mapeado? Sim. Para suprir a demanda de educação em tempo integral, por exemplo, o Brasil precisa construir 15 mil escolas e 3,8 mil creches e reformar 6,3 mil colégios em situação precária. Já existe uma estimativa de quanto custaria todo o plano? O plano geral de infraestrutura escolar estima investimentos entre R$ 200 bilhões e R$ 250 bilhões (até o final do PNE, em 2036). As metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) chegaram ao fim em 2021 e, segundo o PNE, elas precisam ser renovadas. O país, no entanto, ainda não atingiu os objetivos previstos para os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio. O MEC vai aumentar as metas mesmo sem ter cumprido as antigas? Vamos. A educação brasileira conseguiu resolver dois gargalos: o acesso, que ainda falta um pouco em algumas etapas escolares, e, principalmente, o fluxo (a proporção de alunos que nem são reprovados nem abandonam a escola). Agora, as redes vão poder se debruçar sobre a aprendizagem e a equidade, que são os dois novos desafios para a década. A ideia é termos metas um pouco mais ousadas, até porque vimos que há redes no Brasil com boas práticas que conseguiram avanços significativos em curtos períodos de tempo. A fórmula para calcular o Ideb também está passando por uma revisão. Já há um formato definido? Está em fase final. A novidade é que a quantidade de estudantes nos níveis básico e adequado influenciará a nota do índice (atualmente, se considera apenas a nota média de todos os alunos). O presidente Lula anunciou nesta semana o Pé-de-Meia para universitários. Quem receberá? Os estudantes de baixa renda. São em torno de 400 mil, inicialmente. A gente estuda uma forma de aumentar a assistência estudantil desde 2023. Antigamente, a preocupação dos reitores era com a alta demanda de estacionamento. Agora, é se os alunos terão o que comer. Isso é um reflexo da mudança do perfil dos universitários. Hoje, mais de dois terços dos estudantes vêm da escola pública. O Pé-de-Meia universitário vem responder a essa nova necessidade. (Fonte: O Globo)
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