Vale a pena fazer mais um ano de cursinho? Especialistas dão dicas

Para muitos estudantes que não conseguiram aprovação na instituição desejada, surge a dúvida: continuar em um cursinho por mais um ano ou aceitar a vaga conquistada? A resposta não é simples e depende de vários fatores. Especialistas em educação oferecem orientações para ajudar nessa decisão crucial.

Márcio Guedes, coordenador pedagógico do Poliedro Curso SJC, afirma que vale a pena fazer mais um ano de cursinho, especialmente se o aluno está em desenvolvimento e sua curva de crescimento é perceptível. "A cada ano, os alunos ficam mais maduros e experientes em relação ao jogo de estudo e descanso, à busca por tarefas desafiadoras e à correção de simulados. Se o aluno passou raspando ou em uma faculdade que não é tão boa quanto as públicas ou federais que ele almeja, e não tem problemas financeiros, faz todo o sentido investir em mais um ano de preparação."

Viktor Lemos, diretor geral do curso Anglo, complementa que a decisão deve considerar o contexto individual de cada aluno. "A decisão sobre se o aluno deve fazer mais um ano de cursinho vai variar muito conforme a situação, o contexto desse aluno. Vai variar conforme a carreira em que esse aluno está prestando, vai variar se esse aluno está perto ou não da nota de corte no curso e faculdade dos sonhos dele."

Lemos reforça que o aluno deve ponderar se o curso e a faculdade dos sonhos é de fato algo muito importante e que vai fazer sentido no projeto profissional futuro. "O aluno deve considerar que vai partir para mais um ano de preparação. A preparação para o vestibular envolve necessariamente uma disciplina e a abdicação de um conjunto de outras atividades ao longo do ano. Não é porque ele chegou perto que ele vai chegar ou vai passar com mais um ano de preparação."

A decisão de repetir a preparação deve ser consciente e madura, considerando tanto os objetivos profissionais quanto a disposição pessoal para manter a disciplina e o foco durante mais um ano, segundo o especialista. Rodrigo da Silva Alves, diretor acadêmico da Ânima, afirma que não existe uma fórmula pronta para essa decisão. O aluno precisa considerar tanto a possibilidade de se matricular no curso conquistado quanto a de tentar mais um ano de preparação.

"Fazer um curso em uma faculdade que não faça sentido para o projeto desse aluno apenas por entrar na faculdade pode não ser um bom caminho. Ao mesmo tempo, escolher mais um ano de cursinho pode ser uma decisão correta se o curso e a faculdade dos sonhos é de fato algo muito importante e que vai fazer sentido no projeto profissional desse aluno no futuro", diz Alves. Para quem vai repetir a preparação, seguem cinco dicas:

  1. Faça uma autoavaliação sincera. Antes de tudo, o aluno deve responder: o que fez que deu muito certo e o orgulha? O que não fez e deveria ter feito? O que fez que não deveria ter feito? Essa avaliação deve incluir a conduta em feriados, férias, na realização de tarefas e na execução de simulados. Um aluno maduro deve eliminar as falhas e a falta de atitude do ano anterior.
  2. Estruture um plano de estudos realista. É fundamental ter um plano de estudos desenhando os dias e horários de aulas, dias e horários livres para alocar estudos pós-aula, descanso, atividade física e lazer. O plano não é engessado, mas um guia que se refina ao longo do tempo. Assistir a todas as aulas é essencial, pois o professor já traz o conteúdo com ênfase nos pontos importantes para o vestibular.
  3. Busque o desafio nas tarefas. O aprendizado vem da execução de exercícios e da superação de dúvidas e erros. Seja crítico consigo mesmo e procure tarefas que o desafiem, mesmo que isso signifique buscar exercícios mais complexos, como os de segunda fase de vestibulares como Fuvest, Unicamp ou Unesp. A realização de simulados é crucial para averiguar conteúdo, capacidade de interpretação, gestão do tempo e estratégia.
  4. Corrija simulados de forma investigativa. Após os simulados, a correção deve ser investigativa, não apenas para saber o que acertou ou errou, mas para entender por que errou cada questão. Isso ajuda a identificar erros de bobeira (pressa, desatenção), erros de conteúdo, erros de gerenciamento de tempo e até questões de ansiedade. A correção do simulado é um "relatório de missões" para o estudo.
  5. Cuide da saúde física e emocional. O descanso é uma matéria e deve ser estrategicamente bem pensado, com pausas diárias, entre os dias, semanais, bimestrais e semestrais. Ter atividade física ou lazer é importante para a saúde do aluno, proporcionando prazer e relaxamento. Cuidar da saúde emocional é fundamental, pois muitos alunos se cobram demais ou sofrem pressão externa. O controle emocional é crucial para não se tornar o próprio inimigo.

(Fonte: CNN Brasil)



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